A discussão que envolve a figura do professor no processo ensino-aprendizagem tem levado as pessoas a pensarem se, de fato, esse profissional ainda continua sendo importante ou se não está obsoleto diante das novas formas de aprendizagem advindas com o crescente desenvolvimento tecnológico.
Existe
uma gama de trabalhos publicados que buscam apresentar considerações
importantes sobre essa questão. Entre esses, os artigos O mal-estar docente e O
educador: formação e ação levam os leitores a uma análise do papel do educador
e apontam, fundamentados em pesquisadores importantes, os caminhos que esse
profissional deve trilhar para que continue sendo essencial na formação do
educando.
Esse
texto, portanto, irá retratar as ideias contidas nos artigos acima citados,
considerando os pontos de vista de seus autores.
Em
meio ao burocratismo escolar, o professor tem se sentido sufocado pelas
cobranças cada vez maiores e a amplitude de sua função. Hoje, não cabe ao
professor somente preparar suas aulas, ministrá-las e cuidar da disciplina da
sala de aula, mas lidar com as dificuldades de alunos que apresentam
deficiência na aprendizagem incluídos em sua sala de aula e procurar fazer com
que esses alunos aprendam. Além disso, precisam dar conta das novas orientações
da área incluídas no conteúdo de sua disciplina, trabalhar com as questões ambientais,
fazer uso das novas tecnologias, elaborar projetos e desenvolvê-los junto aos
alunos, sem deixar de considerar a aprendizagem que, em muitas escolas, está
voltada para o atendimento dos resultados das avaliações externas.
Além
de tudo isso, o professor vive a angústia de lidar com uma discussão que
permeia a permanência ou não desse profissional no ambiente escolar, uma vez
que há múltiplas formas de aprender que não estão, diretamente, ligadas à
mediação do professor.
Alguns
pontos presentes no texto “O educador: formação e ação” merecem ser destacados,
quando nos referimos ao novo status do professor:
Ø “A
função do professor ainda é primordial para o desenvolvimento do indivíduo e da
sociedade” (LIBÂNEO). Nessa perspectiva, o autor aponta para a significância da
figura do professor e do seu papel na formação do educando e, consequentemente,
na transformação social.
Ø É
preciso formar um “novo docente e uma nova escola” ajustados à realidade atual.
Nesse sentido, não apenas o professor, mas a escola também precisa passar por
mudanças.
Ø “O
novo educador, por sua vez, longe de estar acuado diante da tecnologia, fará
dela um instrumento fundamental de pesquisa e ensino: suas aulas serão mais
ricas e instigantes”. Portanto, a tecnologia passa a estar a serviço do
professor não contra ele. Porém, é preciso que esse novo professor se adeque a
essa realidade.
Ø O
professor precisa “estimular a criação de conhecimento, deve ajudar na reflexão”.
Para tanto, ele precisa unir teoria e prática, uma vez que uma está atrelada a
outra e vice e versa.
Ø “O
professor não pode limitar-se à reprodução do já sabido, do já conhecido”. Aqui
é apresentada a necessidade de o professor estar constantemente se reciclando,
estudando e buscando novos conhecimentos.
Ø “(...)
o novo educador é aquele que reconhece o seu papel político, a dimensão
política da educação, e a interioriza como profissional e como sujeito,
refletindo-a através da sua práxis” (PAULO apud CANDAU). O professor não pode
omitir-se do seu papel político e isso tem que fazer parte da sua prática
docente.
Ø “O
professor tem que estar em condições de sempre se atualizar e, ao mesmo tempo,
saber acompanhar a trama dinâmica da vida social (...) para formar estudantes e
professores comprometidos com ideais emancipadores (LEAL apud LINHARES e LEAL).
Novamente é apresentada a necessidade de o professor procurar atualizar-se para
colaborar na formação de um novo aluno.
Esses pontos permitem uma reflexão sobre
o professor e seu papel frente às transformações pelas quais a sociedade está
passando e apontam para a necessidade de um novo profissional: mais completo,
mais envolvido com as questões sociais e mais importante na formação do aluno.
Por esses vários motivos, concordamos com os autores e
reafirmamos a importância do professor para uma sociedade mais justa, mais
humana e menos excludente.

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